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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

The Day That Never Comes 

Às vezes parece mesmo que há dias que nunca mais chegam. Ou que nunca chegarão.

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quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Memórias de conversas contigo próprio 

A porta fecha-se com algum estrondo atrás de mim. Nunca atinei com as correntes de ar daquela casa. O cheiro a detergente, tão característico daqueles pátios rodeados de portas para mundos esquecidos, invade-me como o faz há anos. Aquele piso branco às pintas pretas, onde tantas vezes joguei Subbuteo. Aquelas escadas que tantas vezes desci a correr. Aos pares, claro. E tantas vezes as subi a correr também. Elevadores são dispensáveis para crianças.

Chego lá fora e respiro o ar verde vindo das árvores. Sim, verde de puro. Coloco o walkman que estava dentro da mochila. O som do Walkman é o do costume. Discreto, para não dar nas vistas. Ou, pelo menos, para os outros é discreto. Para mim é o costume. Uma nova onda abria-se para mim nesta altura, onda que se viria a manter até hoje.

Está sol. O verde acompanha-me, e consigo ver o mar no horizonte – sorte de ter uma avó a morar logo a seguir a placa que diz “Foz”. Por acaso, hoje em dia já não se vê o mar dali. Foi-se, devido ao império de betão. Debaixo das copas das árvores e encostado a elas (porque a paragem não tinha abrigo e o sol era por demais incomodativo), aguardo pelo fiel companheiro que me vai levar até casa – perdi a conta de quantas vezes fiz isto mesmo.

Por acaso, nem é totalmente verdade que me leve a casa. Troco-o no Castelo do Queijo. Sim, o antigo Castelo do Queijo, sem parques subterrâneos nem CLIP’s devastados. Onde passava o eléctrico, que tanto medo me fazia quando era miúdo. Coisas. O próprio Parque da Cidade ainda dá os primeiros passos, não era a imensidão de espaço para os corredores de hoje e menos propensos a maleitas cardíacas de amanhã. Em Leixões, tudo na mesma – barcos a entrar e a sair. Sempre me fascinou o vazio do mar.

A viagem até ao Castelo do Queijo é pacífica. Quer dizer, a não ser que o 37 seja só até ao Mercado da Foz – mesmo em frente ao colégio. Se assim for, há que esperar pelo 78 ou por outro 37 (que vá até ao Castelo, claro). A estes ainda se juntou o 36, mais tarde. Recordo-me como se fosse hoje.

Chegado ao Castelo já está quase na altura de trocar a cassette de lado. O concerto já vai a meio. Interessante, nunca me saíram muito bem os cálculos a gravar cassettes. O raio da música por vezes ficava a meio. Enfim. Agora é esperar pelo 88. Rumo Alfândega. O 88 tinha das missões mais ingratas da cidade. Contornava-a toda até entrar directamente para a Ribeira. Incrível o percurso daquele autocarro.

Na paragem da actual Rotunda da Anémona entrava a malta das praias. Gunas, gente com guarda-sóis, malinhas, lancheiras, gente bronzeada do sol a mais da manhã numa praia que ainda não se tinha esquecido do petroleiro afundado há uns anos largos. O bronze faz as mulheres mais bonitas, recordo-me de o pensar. E tinha razão. Faz mesmo. Torna os olhos e os cabelos mais claros e a pele mais escura e sensual (digo eu, que adoro marcas de bikini).

Companheiros habituais de viagens apareciam constantemente. Muitos já eram “habituées”. Só mudava o autocarro e o motorista. Tudo o resto, por vezes, era igual. O som irritante da porta de trás (ou das duas portas de trás, quando era um articulado), o ocasional “ó senhor motorista, olh’á porta de trás!”, o sempre simpático (...) revisor e as vozes, os cheiros, o calor, as janelas fechadas e, por vezes, abertas em demasia. Desequilíbrios, travagens bruscas, acelerações rápidas, paragens esquecidas.

Ao passar na Rotunda dos Produtos Estrela as primeiras paragens a sério. Trânsito. O do costume. Chatices várias, lugares por dar e pessoas a passar à velocidade da luz. Miúdos dentro do autocarro a dizer adeus para os automóveis, e vice-versa. Sorrisos, alguns; rostos fechados dos adultos fartos de uma vida cada vez mais hierarquizada ao segundo.

Curva do quartel, e ao chegar ao Monte dos Burgos, novas paragens. Semáforos. Que me recordo de não haver. Árvores centenárias (ou quase) na Circunvalação que me esqueci já, mas que me lembro de irem abaixo. Agora são meras árvores. Antigamente, eram monumentos. No entanto, cheiro a natureza. Sim, ainda havia natureza. O nó da VCI, recente, continua ali. Sempre ali. Ainda me lembro de ele não existir. Vejo o 95 a vir da Maia (ou será o 92?). Sinais dos tempos.

O cor-de-laranja do autocarro (por fora e por dentro), o azul e cor-de-rosa do passe, o botão do “PARAR”, o autocolante do “Não fumadores / No smokers / Non fumeurs”. O som inconfundível do B10R da Volvo. As corridas para não perder o autocarro. A chuva que apanhei por ser miúdo e estúpido (porque apanhar chuva é que era fixe). E o sol que sempre tentei evitar.

Saudades. De tempos que nunca mais voltarão.

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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Nota mental: 

NUNCA MAIS gozar por antecipação com mulheres que joguem à bola.

É que ele há coisas do demo...

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